França/ Entre o Jura e os Himalaias, lançam uma geminação inédita: em que consiste este projeto louco chamado «Vilthouki»?
Estabelecer uma ligação entre as crianças de Villette-lès-Dole e as de Thukima (Nepal) através de um intercâmbio linguístico e humano com a duração de quatro anos: é este o desafio ousado de uma viagem prevista para 2030.
A ideia surgiu do encontro e da forte amizade entre Pascal Mergey e Sangé Sherpa. Longe do turismo de massa, o projeto «Vilthouki» — uma combinação de Villette-lès-Dole, no Jura, e Thukima, no Nepal — visa criar uma geminação associativa inédita. A partir do início do ano letivo, os jovens de Villette que frequentam o 5.º ano do ensino básico e o 1.º ano do ensino secundário irão interagir em inglês, uma vez por mês através de videoconferência, com os alunos de Thukima, uma aldeia nepalesa isolada, situada a 2 000 m de altitude e a 30 horas de Katmandu, a capital.
Sangé Sherpa, que mantém laços fortes com a Franche-Comté e vive a viajar pela Europa em busca de novas expedições, é o pilar local desta aventura. A sua associação, Kanchenjunga, já construiu ali três escolas e um dispensário.
«O que fazemos é humano, não é seletivo», insiste Pascal Mergey antes de apresentar o projeto. «Queríamos encontrar uma ideia, uma forma de regressar ao Nepal, ajudar a população local, mas colocando o aspeto humano no centro do projeto para que isto sirva realmente para alguma coisa. » Para além da aprendizagem do inglês, hoje em dia indispensável, este intercâmbio constitui uma abertura profunda ao mundo e a uma cultura radicalmente diferente da nossa sociedade ocidental.
Quatro anos para crescer e fazer esta aventura parte de si
Este projeto de longo prazo irá prolongar-se por quatro anos. Durante este período, as crianças e os seus pais irão empenhar-se em atividades e feiras de artigos usados para angariar fundos. O objetivo é que a viagem final, prevista para o início de julho de 2030, não custe nenhum euro às famílias, para que ninguém fique de fora.
Mas a verdadeira ambição de Pascal Mergey é ir-se afastando gradualmente. «Quero que cada criança diga “eu” ou “nós”, mas não “o Pascal fez” ou “vai fazer”. Tenho de me tornar transparente para que sejam as crianças a apropriarem-se do projeto». A longo prazo, os adolescentes chegarão mesmo a assumir as rédeas da associação. No local, o dinheiro angariado servirá para comprar material escolar diretamente nas lojas locais, de forma a dinamizar a economia nepalesa.
Uma logística rigorosa e memórias gravadas para toda a vida
Para garantir a segurança desta aventura de mais de 14 horas de voo, com escala em Doha (Catar) ou Nova Deli (Índia), Pascal recorreu a um amigo de longa data, Olivier Jacquot, gerente da agência Mana Voyages. A agência prestará um apoio logístico voluntário indispensável para gerir os seguros, os voos e as restrições sanitárias. «O nosso papel é também garantir o melhor conforto possível às crianças, não só a bordo do avião, mas também em termos de duração total e de transporte.»
Ele salienta que o estado das estradas no Nepal é «catastrófico». Embora a parte relativa ao alojamento e à restauração no local seja da responsabilidade de Sangé Sherpa, a agência intervém na fase preliminar para organizar a viagem de forma segura. Estará presente nas reuniões para tranquilizar as famílias.
«Este projeto vai criar viajantes, na verdade, futuros adultos que querem descobrir outras culturas», explica Olivier Jacquot. Para ele, esta experiência marcará profundamente as crianças: «Para as crianças, tanto francesas como nepalesas, esta experiência ficará gravada para toda a vida». Esta ponte de solidariedade promete transformar de forma duradoura a visão destes futuros cidadãos do mundo.
Fonte: actu.fr


